sábado, 26 de fevereiro de 2011

Teólogos alemães: crise da Igreja

Lendo o documento escrito por mais de 140 teólogos de lingua alemã, deu-me vontade de comentá-lo rapidamente. Começam eles referindo-se à crise desencadeada na Igreja por causa dos numerosos casos de pedofilia praticada por clérigos. Dizem-nos que estivemos "subvalorizando" essa crise. Tenho um sentimento talvez bastante estranho. Penso que corremos o risco oposto, o de sobrevalorizar o fato. Não digo isso a respeito da negligência em se tomar medidas adequadas em tempo. Digo da sensação que pode se criar de que a pedofilia, com as medidas tomadas, seria definitivamente debelada. Devemos ser realistas. A natureza humana, desde a decadência primeva, está com seus impulsos emocionais em contínua ameaça de desequilibrar todo nosso ser. Digo que esses impulsos põem desordem em nossa própria "casa". Eles que deveriam se ordenar, subordinando-se à nossa realidade de seres racionais livres e espirituais, buscam continuamente assumir o comando de todo nosso agir. Criam em nós verdadeira dependência à semelhança dos tóxicos. E entre esses impulsos, o soxual talvez seja o mais violento, o mais tirano. Quando consegue impor domínio sobre a pessoa, esta se torna facilmente dependente. Não consigo admitir que essa situação é inelutável por ser congênita. Acredito que seja mais fruto da educação. Por que se julga perniciosa a distribuição de "camisinhas" aos adelescentes? Porque representa um convite ao exercício precoce da genitalidade, criando nesses jovens incautos verdadeira dependência. Gasta-se tanto dinheiro com essa distribuição e, mais tarde, gasta-se ainda mais para coibir os pedófilos, os estupradores, e crimes semelhantes. Digo aos jovens que alguém que esteja dominado pelo impulso sexual, para ele não importa com quem irá transar, se com uma mulher, se com uma criança, se com outro homem e se até com um toco na roça, ou com comqualquer outro instrumento. Digo aos que usam da pedofilia entre os religiosos para escandalizar-se, que não se preocupem, pois, no futuro acontecerão ainda esses casos e, vista a cultura em que vivemos, quando se usam todos os meios para criar dependência da genitalidade, é de se prever que esses casos aumentarão.
Finalmente, o documento dos teólogos alemães não fala da abolição do celibato e, muito menos da ordenação das mulheres. Somente fala da utilidade de ordenar homens casados e de atribuir maior participação das mulheres nos ministérios eclesiásticos. Esta rápida consideração espero seja de utilidade para entrar no debate das reformas que os teólogos alemães propõem para a Igreja.

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